Durante a criação do layout para um cartaz de concurso, eu concebi diversos desenhos vetoriais – incluindo este coração – inicialmente em um aplicativo de celular para, posteriormente, integrá-los no computador.
Certa manhã, a caminho do trabalho, fui capturado pela textura da calçada e notei uma fissura no concreto. Naquele instante, visualizei o coração sobreposto à rachadura, permitindo que a textura e a imperfeição do chão se manifestassem através da forma.
A imagem resultante era simples e despojada, contudo, carregava grande força simbólica. Algo que, para mim, se relacionava com o contexto da época: o Brasil acabava de vivenciar as manifestações de junho de 2013, sobre os 20 centavos, e ingressava em uma trajetória marcada por uma crescente polarização política.

Ao longo dos vários meses, fui fotografando várias imagens de fissuras no asfalto e concreto, adicionando o vetor do coração “por cima” e redesenhando/reforçando o contorno das rachaduras. Segui com essa série como um ato contra o ódio e rancor, promovendo a idéia de Reconciliação como o caminho para a reconstrução social.
Cheguei até a pensar um mote inspirado nesse conceito:
O estrago já foi feito. Amigos romperam, vizinhos ofenderam-se, amantes trataram-se como desconhecidos. Estamos em frangalhos e essa situação fica cada vez mais insustentável a longo prazo. Alguma atitude deve ser tomada e a Reconciliação é o primeiro passo.
Porém, com o tempo, acabei “abandonando” esse trabalho por um certo cansaço com a linguagem visual de combinar imagens fotografadas por celular e imagens vetoriais. Além de, por questões pessoais, eu ter ficado um pouco cético com a mensagem proposta.
Esse série está disponível no site da Urban Arts.





